Páginas

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ataduras da alma

Eu estou com uma verdadeira compulsão por ler relatos de parto. Acho que a experiência de outras mulheres podem me ajudar...então mergulho fundo nesses relatos cheios de emoção e verdade! Daí percebi que ainda não escrevi o relato de parto do Victor. Dia 11 de agosto ele completará três anos e meio. Acho que o relato não saiu até agora porque não estava preparada para escrever sobre uma decepção sem superar o meu não parto e aceitar a cirurgia (porque JÁ aconteceu...infelizmente ISSO eu não posso mudar). Todos me dizem que o importante é que o Victor é um menino forte e saudável mas, meu eu feminino, minha alma, precisava de ataduras... acho que agora a ferida está fechada, mas a cicatriz ainda é muito aparente. Apesar de tudo, tenho certeza, que o dia do nascimento do Victor foi o dia mais importante e feliz da minha vida. Não quero fazer um relato amargurado...a minha viagem foi diferente da minha programação, mas o resultado foi o mais doce possível! Um anjo em minha vida! Uma criança que me ensina todos os dias coisas maravilhosas...minha inspiração para ser um ser humano melhor! 

Relato de Parto do Victor (11/02/2008)

A decisão por uma gravidez surgiu em conjunto com o meu grande e cúmplice amor... Jean! 
O meu relógio biológico já tinha despertado...estava LOUCA para ser mãe!
Assim,  a gravidez foi planejada. Parei de tomar o anticoncepcional, fiz uma pausa de quatro meses, iniciei o ácido fólico, fui ao ginecologista e fiz os exames de rotina. Tudo nota 10! No segundo mês de tentativas... pimba! Meu positivo! Que alegria, que felicidade, que ansiedade, que insegurança! Apesar de ter tido muito enjôo e dois episódios de sangramento, a gravidez transcorreu tranquila e foi considerada de baixo risco.
Quando casamos, nos mudamos de Curitiba para o interior de Santa Catarina. Aqui não temos maternidade e os bebês nascem em hospital (sem UTI neonatal). Pensei diversas vezes em ter o bebê "na capital", mas achava complicado e não via necessidade já que tinha achado e me identificado com um GO favorável ao parto normal. Naquela época eu achava que todo parto normal era hospitalar (cheio de intervenções imprescindíveis hehehehe). Pois é...
Então tá...dia 09 de fevereiro (39 semanas)  fui a última consulta com o meu GO. Ele disse que estava tudo bem, que o colo do útero estava fechadinho e que o bebê, possivelmente, nasceria no final da semana. Era um sábado e ele me informou que estaria fora no domingo e na segunda. mas que na terça já teria retornado. Qualquer intercorrência era para ligar no celular que ele me encaminharia para o Dr. X. Saí do consultório feliz e tranquila, confiava muito no médico e realmente achava que ele poderia prever quando o bebê iria nascer! Ledo engano! Na madrugada de domingo para segunda comecei a sentir algumas contrações. Acordei o marido. Começamos a cronometrar os intervalos. As contrações estavam irregulares, bem espaçadas. Resolvi levantar para fazer xixi e percebi que o xixi não parava. A bolsa tinha rompido, mas ela apenas gotejava... Liguei para o médico. Lembrei que ele não estava na cidade (pânico). Então meu GO pediu para eu ir imediatamente para o hospital e avisou o Dr. X. Tomei um banho, peguei as malas e fomos para o hospital que fica em uma cidade vizinha (25Km). Durante o caminho muita expectativa, falávamos emocionados É HOJE que vamos conhecer nosso bebezinho...Chegamos no hospital e após preencher a papelada fomos encaminhados para uma sala de enfermagem. Lá a enfermeira mediu minha pressão e pediu para aguardarmos o médico. O Dr. X chegou rapidamente, muito carismático. Fez um exame de toque e ploft...agora sim...a bolsa rompeu mesmo! Lavei o consultório.  Logo o Dr. X fala...então mãezinha, vamos para a cesárea? Eu com cara de pastel falo...não...vou tentar o parto normal... Ok, então vamos para o quarto. Era aproximadamente 07:00 da manhã. Após meia hora uma enfermeira apareceu e disse que eu teria que acompanhá-la para fazer os procedimentos pré cirúrgicos...fiquei branca...disse que não...que queria o parto normal... Ela saiu, logo depois voltou e disse que mesmo assim teríamos que ir para uma sala de pré parto (sem acompanhante) para fazer alguns procedimentos. Dei um beijinho no marido e fui...bem assustada. Lá ela fez a tricotomia, inseriu o catéter e iniciou o sorinho (para acelerar a dilatação). Fiquei na companhia de outras mulheres que estavam em trabalho de parto até às 10:00 horas. Então chega o Dr. X para fazer uma avaliação. Zero de dilatação, você não vai conseguir o parto normal. Sua bolsa está rota a muito tempo. Minha indicação como profissional é a cesárea ou ocorrerá sofrimento fetal. Fico pasma, peço para falar com meu marido. Choro... aceito sem questionar a indicação médica. 
As enfermeiras pedem para eu colocar a camisola, a pantufa e a touca. Fazem algumas perguntas sobre peso e alergias medicamentosas...só consigo pensar na anestesia (tenho pavor de agulhas)! Sou apresentada para o anestesista. Peço para que meu marido acompanhe a cirurgia. Pedido negado...mais ansiedade...mais adrenalina...Ok, penso...vou ter que encarar sozinha...afinal logo logo meu tesourinho estará em meu colo... 
A cirurgia começa, meus braços estão presos, um pano cobre minha visão e peço para segurar a mão da enfermeira desconhecida que monitora minha pressão... Logo o Dr. X informa que eu iria sentir uma pressão, pronto...o bebê "nasceu" (11:36)! Escuto um choro alto e rapidamente a enfermeira traz o bebê para perto do meu rosto, eu falo chorando "a mamãe está aqui"...o Victor pára de chorar instantâneamente...eu choro compulsivamente...o levam para a avaliação pediátrica. O Dr. X conta que está tudo bem, que ele vai finalizar a cirurgia e que o pequeno tinha uma volta de cordão umbilical no tornozelo... já nasceu com pulseirinha! Não achei graça. O Dr. X avisa que terminou a cirurgia, informa que aplicou corticóide nos pontos (porque tenho tendência para formação de quelóides) e comenta com o assistente...agora vou almoçar...se despede e sai. As enfermeiras me limpam (nossa aquela perna estendida lá no alto é minha...um cheiro forte de iodo) e me levam para uma sala de recuperação. Informam que eu somente poderia ir para o quarto quando conseguisse mexer os pés... Peço sobre o bebê e imploro para trazerem ele para mamar... Logo chega um bercinho com o Victor. Peço para colocarem ele no meu peito. A enfermeira me ajuda e ele suga meu seio ainda sem colostro, chora e logo dorme. Consigo mexer o pé. Aviso a equipe de enfermagem e elas me levam para o quarto. Chegando lá meu marido assustado me recepciona com um beijo carinhoso. Depois escuto ele perguntar baixinho se era normal eu estar tão apática e sangrando muito (tinha um lençol entre minhas pernas cheio de sangue). Ainda fico com o soro até a alta e recebo injeções de Plasil. No final da tarde minha mãe querida chega de Curitiba. Começo a me sentir mais acolhida...o Victor é lindo...dormiu muito bem na primeira noite...no dia seguinte já recebo alta e vou para casa iniciar minha jornada como mãe...sinto dor...física e emocional...mas também sinto muita felicidade e gratidão por ter o meu anjo tão esperado e amado em meus braços...            
               

4 comentários:

Grace disse...

Aline, não entendo essa tua frustração, flor...afinal, vc nao fez uma cesaria assim, do nada, igual a tal e Leticia Birkeuer (que diz que acham muito perigoso o patto normal e ja quercesaria de cara...conhece aquela atriz??)Você f4ez pq nao tinha dilatação e o bb já estava sem agua! Vc tomou a decisão sábia para salvar o seu filho!! Vc é uma mãe maravilhosa antes mesmo de ver a carinha do seu bb!!
Agora que já estais preparada para mais esse parto, bola pra frente e felicidades!!

Um beijo enoooorme!!

Dani Castro 80 Royal disse...

Aline... Eu tb tive que fazer cesárea e só depois de feita que pensei q poderia ter optado pelo normal... Tb fico frustrada por não ter me informado melhor... mas o próximo vai ser diferente... o seu e o meu! Espero... Pois não sei qdo e nem sei se terei outro filho.
Que venham com saúde! bjo grande de uma mãe que entende bem o que vc sentiu.

Aline disse...

Grace Querida, acho que me sinto frustrada como mulher, naturalmente capaz de parir e também tenho aquele sentimento de que poderia ter lutado mais, de que a cesárea não foi tão necessária quanto o médico pintou...

Dani, obrigada pela visita. Seu comentário foi muito reconfortante!

Eloísa R. Pinheiro disse...

Oi Aline, estou passando por aqui, apesar de ainda não ter entrado neste mundo da blogosfera, gosto sempre de acompanhar os blogs das amigas, e assim, li 2 blogs de amigas minhas falando sobre o mesmo assunto e acho que posso fazer uma ponte para novas trocas de idéias, esses blogs foram o seu e da Nine, amiga minha da faculdade, ela está passando pela mesma experiência que vc, e tem todos esses dilemas do parto, se quiser conhêce-la melhor e quem sabe trocar informações o blog dela é: http://minhapequenaisis.blogspot.com/. Estou aprendendo muito com vcs!!! Bjs

Postar um comentário

Estou ansiosa para ler o seu comentário!